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Mostrando postagens de 2015

Onde deveria estar

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Quando resolvi pegar um pedaço de papel e uma caneta, percebi o quanto de mim mudou. Parece que foi ontem, as palavras surgiam automaticamente formando ideias desenhadas nas páginas em branco, hoje a maioria delas continuam vazias, esperando... implorando por um pouco de atenção. A vida nos rouba o tempo e isso é irônico. E não é menos irônico perceber que uma das poucas coisas que podia sentir orgulho, que era a capacidade de criar mundos paralelos em qualquer situação, já não faz parte do meu cotidiano. É quase uma afronta, algumas poucas linhas são capazes de sugar toda a minha imaginação. Eu não sei dizer, ao certo, quando foi que me tornei "silêncio". Hoje eu olho em minha volta e tudo que sou capaz de ver é uma selva de pedras, empoeirada e barulhenta, com suas pessoas correndo atônitas de um lado para o outro e ainda faço parte dessa massa navegando em uma correnteza que não leva à lugar algum. Depois de algum tempo a gente percebe que falar de mais incomoda, na

Sobre crianças que usam facebook

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Outro dia, eu li uma reportagem falando sobre uma criança de dez anos que fôra exposta à uma situação constrangedora. Por sorte, ela não fôra aliciada, mas teve sua inocência invadida por um “coleguinha” um pouco mais velho que a convidava a ir na sua casa, com propostas, evidentemente, mal intencionadas. Por sorte também a garota perguntou à mãe se poderia ir, e contou que o colega havia lhe chamado no facebook. A mãe dessa criança de classe média é uma trabalhadora, com outros três filhos menores, que tem de cuidar sozinha e precisa de entreter a criançada. Na casa possui internet e um computador de segunda mão, além do celular da jovenzinha, ganhado de natal por ser uma boa garota e ajudar nas tarefas de casa. A criança tem hábitos caseiros, chega em casa e já pega o celular para conversar com as amiguinhas no whatsapp e curtir coisas no “feice”. Ela não gosta de televisão, não fica na rua e isso já é algo bom. Ou nem tanto. A mãe, que informou que os filhos mais novos (d

O Clone de Cristo - J R Lankford

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Um microbiologista viaja até o Vaticano e tem a chance, única chance, de coletar alguns fios do Sudário, com o DNA de Cristo. A história tinha tudo pra ser um belo relato de ficção científica, pense: o tão esperado retorno de Messias... mas, apesar do livro chamar “O clone de Cristo” ele conta a história de Mary, uma empregada enxerida e bisbilhoteira que se mete nos negócios de Félix, o microbiologista, e conquista o direito de ser a mãe de aluguel do clone. Se não bastasse a mulher chamar “Maria” ela era virgem, aos 34 anos, insegura, problemática e intrometida (onde foi que já vi isso antes). O autor forçou a barra e foi infeliz. Assim como foi infeliz em criar Sam Duffy, o galã mafioso que tinha por disfarce a profissão de porteiro, tinha todas as garotas aos seus pés e ganhava muito dinheiro trabalhando paro o senhor (como é mesmo o nome dele?) do décimo segundo andar. Só que Sam é apaixonado por Mary, que até então a única qualidade era ser uma Cristã fútil que gast

Os assassinos do cartão postal- James Patterson

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Faz alguns meses que terminei a leitura desse livro, que, acima de tudo, me chamou a atenção por ter como cenário principal a cidade de Estocolmo, na Suécia. Existe lugar mais lindo? Apesar de famoso, eu nunca havia lido um romance de James Patterson. Li várias críticas e o conceito sobre o autor é bem diversificado. Romancista policial com histórias envolventes, basicamente, é como ele é visto no meio literário. E acrescento umas doses extras de “envolvente” por minha conta. Poucas histórias já desmantelam os culpados logo de cara. Essa é uma delas. Já no primeiro capítulo sabemos quem é quem e o que eles fazem e a trama se desenrola na  tentativa de um detive particular de pegá-los. A narrativa é excelente, capítulos curtos e precisos, com algo acontecendo o tempo todo. Nada de romances melosos, nada de fatos mágicos do além, somente um contexto envolvido em um enredo contínuo e detalhes que dão um sentido cômico ao texto. Como a motivação do Jacob Kanon que, após ter a filha

Sobre a tecnologia, crise nacional e remédios para depressão

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Créditos da imagem: http://ghiraldelli.pro.br São dias difíceis... Eu me pergunto se sou eu que estou sensível de mais ou se estou vivendo em um mundo que, realmente, está de ponta cabeça. As coisas simplesmente perderam o sentido e os valores virando um misto de aquiescência e desprezo pelos princípios que outrora faziam parte de nossa condição de humanos. Já disse que a era da tecnologia tem nos consumido como um parasita, mas, cada dia, a verocidade dessa entrega me surpreende mais, como se estivéssemos em um transe daqueles dos filmes de ficção científica.   Falando em filmes (e em ficção científica), o primeiro semestre deste ano foi surpreendente no quesito de cinema em que, entre outros títulos, destacaram: A Teoria de Tudo, O Jogo da Imitação, Velozes e Furiosos 7, Mad Max, Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível, Jurassic World e Os Vingadores: A Era de Ultron. Cada um com suas particularidades e surpresas que deixaram esse mundo paralelo mais insano do

E Se Vão Cinco Anos...

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Eu coloquei uma daquelas canções que tem o som da sua voz e o hoje o dia amanheceu tão cinza, como se cada segundo tivesse a única função de me lembrar você. Fecho os olhos e me pergunto, aonde está você agora?  São cinco anos! Nem parece tanto tempo quando  penso em seu sorriso ou procuro seu olhar nas estrelas. Mas quando a saudade arde no peito parece que há uma eternidade que não tenho você aqui. Tem dias que me vejo esperando você voltar pra mim, como se todo esse tempo fosse apenas uma pausa na realidade e tudo não passasse de um sonho, um sonho ruim do qual desejo acordar todos os dias.  São cinco anos e eu ainda não me acostumei com sua ausência. Todos os dias eu olho no espelho seu nome gravado em minha pele, pedindo para que a saudade se cale dentro do peito e silencie a falta que você me faz. Eu me lembro de você quando escuto uma música nova e sei que ia gostar. Me lembro quando as antigas canções tem o som da sua voz. Eu fico imaginando o que você diria daquele no