Sobre: Escrevendo coisas novas no blog


Por muitos anos este blog foi um ponto de apoio pra mim. Eu escrevo nele desde 2010, mas na verdade eu tinha outros blogs desde um pouco antes que se perderam por aí. Escrever era muito além de um hobby, aqui nas longas postagens ou simplesmente numa frase qualquer há muito de mim. Histórias reais que vivi, estórias que inventei, sonhos que sonhei e dores que senti. Seja em forma de poesia ou de texto, eu passei pelos piores momentos da minha vida com um computador na mão transformando o que estava em mim em palavras e me deixando fluir em cada linha.

Perder esse hábito de escrever, ou deixar que a vida sufocasse isso também, me deixa triste, pois era uma parte de mim que gostava de ter, falar sobre tudo, como se meu pc pudesse me ouvir e me consolar com minhas próprias palavras. Apesar de ter vivido tempos sombrios, eu encontrei nas palavras uma forma de sobreviver a mim mesma. De uma forma ou de outra, cheguei até aqui deixando um legado que fez parte do meu caminho. E agora eu quero voltar, talvez mais madura, menos poética, ou não, apenas vendo as coisas de forma diferente, mas tratando esse espaço como uma “válvula de escape” como sempre foi.

Meu blog nunca foi um diário, mas tem muito de mim, do que eu penso (ou do que eu pensei um dia) de coisas que vivi, de pessoas que encontrei pelo caminho, e assim seguirá. Nem tudo é verdade por aqui, mas uma coisa é certa, nada é mentira.

Me sinto como há 10, ou 12 anos atrás, iniciando um novo blog pra dizer algumas coisas que eu nem sei ao certo se queria dizer, no caso, o blog não é novo, só uma tag nova que vou chamar de “cartas à meu terapeuta”.

Eu coloco uma playlist com gosto de nostalgia e, sem me apegar muito aos detalhes, entrego-me ao teclado, como uma adolescente que se entregava às cartas de amor nunca enviadas.

A verdade é que há muito dentro de mim e, pelo menos até agora, eu não consegui encontrar uma forma melhor de me expressar senão por palavras desenhadas em um "papel" bonito.

Este espaço é somente para que eu consiga elaborar de forma organizada (ou nem tanto) todas as sensações que venho sentido. Já há algum tempo eu queria voltar escrever, mas confesso que não queria misturar com meu blog, há algum tempo esquecido. Quero escrever algo mais pessoal, de cara limpa e com a sensação que estou escrevendo para alguém, porque na escrita eu sempre encontro minha fala. Mas porque não aqui? Se foi sempre pra cá que eu fugia?

Há alguns anos tenho passeado pelos consultórios psicológicos, tentando encontrar um sentido para a vida, mais precisamente, a minha vida. Eu já busquei em vários lugares, "de heroína a Jesus Cristo”, (literalmente e parafraseando Renato Russo, meu escritor favorito) e nunca preenchi essa necessidade de "saber"que insiste em martelar em minha mente.

Quando me olho no espelho eu vejo uma completa desconhecida. As vezes até fisicamente eu me desconheço e isso é assustador. Eu não me conheço, eu não sei listar o que eu gosto ou o que eu quero fazer, o que eu não gosto eu tenho na ponta da língua - tudo - e este foi o primeiro motivo de eu buscar uma terapia há alguns anos. Eu não sei quem sou! E embora isso seja até legal em uma letra de música, na realidade não é uma sensação boa olhar para mim mesma e não conseguir me definir, ainda mais quando estou caminhando para os quarenta. E, nos relapsos momentos em que penso saber quem sou, eu tenho certeza de que não gosto de mim. Tenho vergonha e horror ao que me tornei e aos comportamentos que enxergo em mim como se fosse uma outra pessoa.

Mas voltando ao foco, eu lembro da primeira vez que entrei num consultório. Sem saber o que falar ou como me comportar, comecei olhar ao redor procurando pontos de apoio - ou de fuga - para meus pensamentos e para, no mínimo, conseguir dizer o que estava fazendo ali.

Obviamente, esta primeira tentativa não deu certo... nem a segunda, nem a terceira e por aí vai. Estou na septuagésima quinta tentativa, e contanto... - brincadeira, embora tenha passado em algumas mãos não foram tantas assim.

No auge dos meus trinta e tantos anos eu me sinto uma adolescente cheia de caraminholas na cabeça e com dúvidas dignas de quem tem uma vida inteira pela frente. O que não é verdade, já que a vida se encosta cada vez mais e as marcas do tempo, sejam físicas ou não, estão berrando diante dos meus olhos que o tempo tem passado. E se for pensar bem, o tempo tem passado pra caralho.

Eu queria fazer um blog novo, até cheguei a fazê-lo, mas não achei justo com este amigo aqui. O nome, seria “cartas a meu terapeuta” porque sempre fica algo que eu queria dizer. Muitas vezes quando inicio a sessão eu tenho um script prontinho, organizado, quase uma peça de Shakespeare, na minha mente e de repente aquilo toma outros rumos que nem sei... Eu nunca vi uma peça de Shakespeare, assim como nunca vi ou fiz uma gama de coisas por esperar o momento certo. O momento de falar, o momento de procurar, o momento de dizer e então, o tempo passa como um trem e eu fico parada na estação esperando o próximo, e o próximo e outro... de repente perdi não só o trem, mas nem estou mais naquela estação. Algo ficou por dizer, outra vez.

Depois de tanto tempo e de tantas perdas é natural que se tenha ficado muita coisa presa na garganta, então por isso vou escrevê-las uma a uma porque engolir essas palavras e essas sensações não é uma opção. Todo este acúmulo está me sufocando, eu ja não consigo respirar e preciso liberar espaço em mim de alguma forma.

São tantas justificativas, mesmo não dizendo nada, eu já posso começar... e em algum momento vou parar também e tudo bem! No fim, são cartas a mim mesma.

Comentários

  1. "Todo este acúmulo está me sufocando, eu ja não consigo respirar e preciso liberar espaço em mim de alguma forma."... Também me sinto assim, faz uns 6 meses que tento voltar a escrever mas to com dificuldade de deixar sair as palavras...muita coisa tem me massacrado por dentro. Mas de uma coisa eu sei o caminho do autoconhecimento nunca é tempo perdido. Eu passei por 14 terapeutas até achar pessoas que me ajudassem a entrar nesse caminho, e valeu super a pena a espera. Que bom que voltou a escrever!

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