Pensando bem, 2023 não foi este ano caótico que, sem pensar, fico reafirmando por aí. Foi um ano de faxina e, nessa faxina, descobertas. Acho que foi assim para muita gente. A gente aprendeu que devemos reclamar, que devemos dar ênfase aos nossos perrengues, problemas e frustrações, enquanto nos bastidores corre um riacho calmo e constante. Passamos a vida dando atenção às coisas que não dão certo. Tanto que lembramos muito mais do que nos frustrou do que do que conquistamos. Acho que todo mundo deve ter essa visão deturpada da vida, como se fôssemos programados para manter a cabeça baixa para não vermos tudo o que existe à nossa volta. Passa um filme em minha cabeça. Uma animação Disney com nuvens e balões em tons de pastéis, e flutuando nesse lugar suave e colorido, há uma criança vestida de princesa e sapatos de bailarina e cabelos cacheados castanhos, com cachos suaves. Que criança bonita! Mesmo com os joelhos escuros dos ralados da infância, mesmo com algumas marquinhas em seu ros...
Eu estava pensando se realmente vivemos em progresso. Hoje percebi o quão somos escravos das mídias e da tecnologia. Como meu modem está estragado e eu ainda não o arrumei, estou sem internet em casa. Como minha tarde rendeu! Voltei-me a velhos hobbies peguei um livro, um café e os fones, coloquei uma música calma e me distrai na leitura. Li por horas, até me distrair com as notas de uma canção qualquer... O interessante é que nem me dei conta do tempo passando, quando percebi, havia várias páginas viradas e um turbilhão de pensamentos processando as informações que estava recebendo. Depois de alguns goles de café e um cheiro suave de rua molhada. É, realmente acho que não estamos tanto em progresso assim. Pelo menos eu não estou. Deixo me escravizar pelas redes sociais, pela possibilidade de ser “ouvido” e visto por muitas pessoas ao mesmo tempo, deixei-me deslumbrar pelo vício da ociosidade e estava quase me esquecendo como o silêncio é confortável. C...
você não sabe, mas eu já te toquei. na ideia. na pausa entre um assunto neutro e o sorriso torto. na respiração um pouco mais funda em meu perfume. na vontade crua de fingir que era só educação. eu vi. como teus olhos me vestiram antes de encontrar os meus. como tua voz mudou de textura, da formalidade ao sussurro não dito. e eu pensei em dizer, mas seria injusto. comigo, contigo, com o que não faremos. porque se eu dissesse, você saberia. saberia que eu reparei na forma como teu corpo ocupa espaço. no jeito que tua camisa dobra no ombro. no calor do teu pescoço imaginado. na curva dos teus lábios quando ri sem motivo. eu imaginei teu cheiro. não o do perfume... imaginei tua boca:lenta. insegura, no começo. até descobrir que eu gosto de comando. Nada é mais perigoso do que alguém que provoca, sem saber o quanto provoca. ou sabe? sabe.
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