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Mostrando postagens de Agosto, 2019

Destaque

Tic...tac...

Sabe quando no meio do dia você lembra de algo de muito tempo atrás...  é como se alguém apertasse o botão do pause e, embora a vida segue, o silêncio soa mais alto.  Sabe quando esta lembrança te paralisa de forma tão imediata que, tudo, absolutamente tudo perde o sentido repentinamente.... Sabe quando seus olhos se inundam, te falta o ar, some sua voz... assim no meio do dia, ou em uma noite vazia e tudo aquilo que você faz questão de deixar adormecido explode dentro de você.  A foto na estante é tão vazia que você não consegue olhar pra ela e todas as lembranças do que foi e do que poderia ter sido explodem em um caleidoscópio em sua mente...  Você não consegue mais olhar as fotos...  e as lágrimas caem pesadas dos seus olhos porque você não consegue as conter.  E você lembra e relembra  e cada nota da canção que insiste em tocar é o tom da voz que não sabe mais como ouvir... E você lembra...  perdendo todos os seus passos sem rumo em um horizonte que n

Eterno Outono

Tão repentina parecia Essa visão trágica pintada diante de meus olhos Entre folhas murchando, eu havia encontrado meu amado Ensanguentado e pálido caindo para sempre Tão silencioso... Ciente da minha presença Ele se virou para mim Seu olhar agonizante Um último suspiro E ele sussurrou "Tudo morre" Diante dos meus olhos cheios de lágrimas Mortos e silenciosos Uma dourada folha de outono caindo Essa beleza murchando Este eterno outono Tão silencioso...

Sob o silêncio de Brumadinho

Pintaram de marrom meus sonhos Pintaram de sangue meus lírios Reescreveram minha história sob escombros Drenaram a vida dos meus rios. Me produziu, prometeu andar comigo Me seduziu fazendo que eu acreditasse em seu amor Estendeu a morte por todo o meu caminho Deixando um rastro de lama, sangue e dor. Sua ganância levou embora meus filhos E agora com seu ouro frio quer nos comprar Não me venha propôr seus golpes frios Seu dinheiro não pode nos calar. E se pra você vale tudo nesse jogo Não vamos nos render à suas regras Pagarás o que deve ao meu povo E custará bem mais que suas moedas.

Sociedade adormecida

Não há sementes, não há valores fique em silêncio, ouça os rumores. São os gritos das crianças que sentem fome  e as lágrimas das mães humilhadas, são os silêncios dos idosos abandonados em qualquer canto sórdido, são as memórias da pátria esquecida,  prostituída nos livros...  Histórias que se repetem, aplausos. Odeio a  névoa de ignorância e a ingratidão que se estampam nos olhares. Odeio o senso de supremacia arraigados no ego.  Odeio a falta de empatia e a superioridade contida na voz.  Odeio o respirar, o farfalhar o existir. Bando de hipócritas medíocres incoerentes.  Rezam toda noite mas atiram pedras em cada amanhecer. Suas roupas de grifes e perfumes importados não escondem a podridão que sai de você.  Seu hálito fede a cada palavra que vomita. Odeio a desinformação mitigada pelas conversas, a farça desenhada nas entrelinhas, o disfarce sensoriado na novela.  Odeio a massa que lhe segue hipnotizada, manipulada...  Enquanto você existir, toda uma nação será vendida  e a pátria

Saudade

Sabe aquela saudade que vem impregnada nas notas das canções? E quando o vento sopra tão suave que as flores todas em seus jardins parecem agradecer a brisa? Eu podia o sentir tão perto que acreditei ouvir sua voz entre as melodias... Ou são só os acordes que traziam momentos tão vivos na memória que se eu fechasse os olhos poderia voltar no tempo para o ter mais um segundo... E eu permaneci assim em silencio, tentando reviver as formas, as paisagens, as lembranças... Porque por mais que a vida tenha o tirado do alcance dos meus olhos, nunca, tempo algum, ou qualquer movimento será capaz de afastar do meu coração. A vida doi sem você aqui. A saudade as vezes e cruel... o tempo sufoca e é como se o ar não fosse suficiente para me manter viva...  Eu te amo, e hoje eu daria tudo para te ver sorrindo por mais um minuto.