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Algo sobre o tempo

Algo sobre o tempo
Já é outono. Eu já não percebo o tempo passar e, quando me dou conta mais uma estação está no fim. A vida exige que fechamos os olhos para os problemas, para os sentimentos e nos infiltramos no ritmo, acelerado e inquieto, da sobrevivência. Mas de repente, no sincronismo de uma canção ou num leve perceber do vento, nos damos conta que estamos imersos em um submundo paralelo. E é estranho esses momentos de "consciência". Sentir a realidade deturpando todas as expectativas que, sutilmente, nos propomos. Corremos... indiferentes à quem está à nossa volta, buscando uma satisfação pessoal que chamamos de "felicidade" (sem as aspas, para nos dar uma ideologia de realidade) e perdemos toda a glória do caminhar. 
"Cada ano que se passa fica mais curto", eu ouvia isso em uma canção há dez anos atrás e chamava de exagero. Mas agora, percebo que não me permito mais sentir a leveza das manhãs nem a beleza dos luares... a vida exige e, aos tropeços, me adapto (fácil) às recorrências. E vez por outra, assim sem mais, eu me pego pensando que, no final das contas, eu perco muito mais tempo agora, do que antes, quando tudo podia esperar. 
Algumas mudanças são tão rígidas que nos forçam a conviver com elas, por mais que não a aceitamos, e as diretrizes do sistema caminham, cada vez mais, para uma obrigação eminente de "ser aceito", mesmo que isso mude todos os nossos princípios. "A sociedade está doente, e ninguém parece perceber"... 
Em um relapso eu fechei os olhos, num erro frenético que insisto em cometer. Senti a saudade, o gosto bom de um café quente e do cheiro de um livro. Hoje as coisas mudaram de lugar, tudo o que eu vejo é uma concorrência por status e poder, mascarada por um mau gosto exagerado. Nem as poesias, nem as melodias têm o mesmo gosto, hoje elas não passam de notas soltas, arrítmicas e sem sentido. Não ha mais o sincronismo entre ação e pensamento...
"A sociedade está doente, e ninguém parece perceber"...
Eu, comumente, estou também neste barco, levada por obrigações impostas pelo dia a dia, prestes a afundar em um oceano de insatisfação. É frustrante perceber que nada é como eu imaginava, nem o azul do céu, nem o gosto do mar... até mesmo as lembranças do que foi um dia doce, hoje se mistura com um sabor cinza e se confunde com uma falsa expectativa de "realização". 
Não! Eu quero gritar... eu quero parar, seja o que for que me leva a essa direção. Não quero me tornar mais uma marionete controlada pelo sistema e por uma civilização hipoctra e mesquinha. Eu não quero confundir meus princípios com esses valores invertidos que são jogados cara a cara o tempo todo. Não quero tomar essa pílula de alienação contrita que faz com que tudo não passe de mera aceitação. Quero voltar a sentir a brisa fria que trás o outono e a tomar chocolate debaixo de um cobertor, no inverno. Quero ver a beleza das flores, os ipês amarelos, da primavera e me embriagar do calor do sol e do cheiro do mar no verão. Eu quero me sentir viva! Mas não sei mais como voltar àquela inocência que, ao menos, me permitia sonhar... 

Comentários

  1. Prezada Marcela Melo parabenizo-a pelo belo texto. O devaneio poético que ele contém agradou-me bastante em vista que é um estilo de escrever que gosto e costume ser inspirado para tal. Mais uma vez parabéns e estimulo-a a continuar a escrever textos tão belos.
    Robert Thomaz

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  2. Gosto desse estilo de escrita, faz a mente vooar mais alto hehehe gostei!!! Passa no meu blog pra conhecer. Se gostar e seguir me dando uma forcinha, sigo tb!
    www.makeolatras.blogspot.com.br
    Bjsss =]

    ResponderExcluir
  3. O outono chegou de mansinho, tocou a campainha, e como estava imersa em outro tempo, não pude senti-lo por perto. De longe, até sentir o aroma dessa estação que tanto me abraça, mas algumas coisas tocaram o meu esquecimento e deixei a sensibilidade escorrer. É outono, e agora sei disso... Esqueci o tempo lá fora e murmurei vontades que não posso deixar passar.

    Adorei.

    Abraços

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